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Águas Abertas

Esta modalidade remete às origens da natação, quando ainda não havia piscinas. Nos finais do século XIX as competições em águas abertas tiveram uma grande aceitação porque, devido à existência de poucas piscinas, as competições de natação desenrolavam-se utilizando os meios aquáticos naturais.

Os primeiros desportistas da natação procuravam vencer desafios difíceis e, por vezes, extravagantes. A necessidade de alcançar grandes feitos, em diferentes domínios, era uma constante. Os jornais da época publicitavam disputas, desafios públicos para que alguns homens, do desporto náutico, cometessem esta ou aquela façanha ou medissem forças numa prova definida. Quanto mais difícil melhor era para atrair as audiências. Juntavam-se multidões para assistirem a esses duelos onde o espírito de honra era posto em causa e que o cumprimento integral do proposto era prestigiante. 



Estas competições foram caindo em desuso, por um lado, pelo aumento do número de piscinas existentes, por outro, devido à poluição que gradualmente foi tomando conta dos recursos hídricos naturais.

Tornaram-se célebres as travessias do canal da Mancha e as longas maratonas natatórias que ocorriam nos rios e no mar de todo o mundo. Há alguns anos a esta parte, estas competições têm renascido e algumas delas são já consideradas um marco na Europa. Hoje as provas são divididas entre as de distância inferior e superior a 10km.

Nos campeonatos mundiais, são realizadas três provas da modalidade, nas distâncias de 5km, 10km e 25km, sempre para mulheres e homens.

Em 27 de Outubro de 2005, o Comité Olímpico Internacional decidiu integrar as águas abertas no programa dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 – Pequim. Portugal participou com dois atletas de clubes associados, o Arseny Lavrentyev (SAD) e a Daniela Inácio (CFB).

Em Portugal, durante décadas realizou-se anualmente a Travessia do Tejo, no percurso clássico da Trafaria a Algés, prova que arrastava muitos espectadores, às suas margens, para assistir. 

Durante os anos 40 e 50, o maior expoente português, deste tipo de competição, foi o nadador Baptista Pereira que efetuou diversas travessias em todo o mundo e bateu inúmeros recordes.

Seguiu-se José Freitas com a mítica travessia do estreito de Gibraltar, onde viria a obter um recorde que perdurou por muitos anos, valendo a alcunha com que ficaria conhecido: o Golfinho de Gibraltar.

Mais recentemente nadadores de maratonas aquáticas como Miguel Arrobas e Nuno Vicente efetuaram travessias de grande relevo em Portugal Continental e Ilha da Madeira, bem como a travessia do Canal da Mancha, seguindo os passos do mítico Baptista Pereira. 

Miguel Arrobas veio mesmo a ser o segundo português a realizar com sucesso a travessia do Canal da Mancha, em 2008.

A Federação Portuguesa de Natação organiza em Portugal os Campeonatos Nacionais de várias distâncias, para além de organizar uma prova internacional da Taça do Mundo, a Setúbal Bay Open Water Swim Marathon.

A Associação de Natação de Lisboa sempre colaborou com a organização de provas de águas abertas históricas, como a Travessia Baptista Pereira, a Travessia de Sesimbra, a Travessia Bessone Basto ou a Travessia do Tejo, e tenta estimular outras entidades a criarem as condições para a realização de eventos que aproveitem da melhor forma as condições naturais à disposição.

Em 2016, juntamente com a Câmara Municipal de Lisboa fez voltar ao Rio Tejo e zona ribeirinha da cidade de Lisboa uma competição de águas abertas, e desde 2017 que organiza o evento José Freitas Águas Abertas – Prova do Tejo, que presta homenagem à figura mítica do Golfinho de Gibraltar. 

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